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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Despedidas do Brasil

Curacao, 1 de Julho de 2016

Este post escrevemos já em terras caribenhas... Mas antes de falar sobre nosso novo momento de vida, queremos agradecer a todos os amigos do Brasil pelo carinho, por todas as mensagens e pela energia positiva. Valeu galera por todas as despedidas !!

Segue as fotos que temos aqui... Se você tem alguma foto legal aí contigo, manda pra gente para publicarmos..

Valeu !!


Galera amiga e querida de SP !! Sentiremos saudades do churrasco do Bala, dos almoços em família,
dos jogos do vascão com Pedrão, do lava-saco em grupo, das breves palavras do amigo viceral,
do camarão da Lu, valeu amigos!
No canto da direita abaixo, as queridas professoras Mrs Dri e Mrs Clara - obrigado
pelo carinho e amor com nossas figurinhas!!



Despedida da escola (Tots & Teens) -
Vocês misturam profissionalismo com amor,
gerando uma receita impecável de ensino. Obrigado por todo empenho e dedicação!



Amigos, amigos, amigos.... sentiremos saudades!






Acima, feijoada no Rancho - em Niterói. Muita gente querida junto.
Abaixo esquerda nossos vizinhos de SP - valeu amigos pelo help nesta reta final e pela pizza da última noite.
Abaixo no meio, nossos velhos amigos e parceiros Richa e Bia - queridos
amigos de alma, das viagens de moto e de todos os finais de semana.
Abaixo no canto direito, nosso velho amigo Pedrão - ficou com ele a missão de nos
levar no aeroporto em Guarulhos a meia noite.. valeu Pedrão!!


Solange vizinha que sempre nos socorreu do ovo aos cuidados com as criancas.
Sentiremos saudades. Vc mora no nosso coracao e "faz o melhor
brigadeiro do mundo" - palavras do Bruno.
Carlota e Amandinha amamos muito vcs!
Abaixo no canto direito Lucca e Bruno com Lorenzo e
Pedro..amigos desde o Maternal 1. 



No alto a esquerda, familia querida do RJ - Paolinha, buchechinha, tia
 Paula, dinda Lelê, vovó Sandra - valeu pelas inúmeras festas na pousada e pela rabada de
 despedida do vovô Quim!!
No canto da direita.. família querida de Niterói.. e os abraços de saudade embolados!!
Embaixo a esquerda, queridos amigos do nosso antigo predio em SP - sentiremos saudades!!
valeu pelos encontros na ilhabela, pelos vinhos, pelo livro com mensagens de despedida (tá aqui com a gente!)



Valeu galera do trabalho... time nota dez! obrigado pela convivencia
fantástica... vou sentir saudades !
Me da um toque a cada final de quartil.. que eu envio pra vocês
 a foto do badejo da vez !!



PS1: Antes de fechar, ...por favor, alguém me envie ai foto com as vovós, pois senão vai dar zebra!! no aguardo!

PS2: ...amiga Yone, to sem nenhuma foto do encontro na "shoestock"... pede para alguém me enviar alguma foto..  grande beijo!

PS3: Que tiver foto boa .. manda pra gente: itacaresailing@gmail.com






domingo, 6 de março de 2016

A mais longa travessia

São Paulo, 6 de Março de 2016

Faz tempo que não velejo, faz tempo que não vejo o mar. Estamos há meses intensos na tentativa de organizar nossa vida na cidade e aprontar tudo para partir em definitivo.

Nunca tinha vivido um projeto de preparação tão longo e tão intenso. Como um quebra cabeça as peças vão aos poucos se juntando.  Minha cabeça processa o tempo todo tudo que já fizemos e tudo que ainda temos a fazer. Quantas coisas..     Confesso que tem sido difícil tocar o dia-a-dia e conviver com todo nosso sonho, sobretudo nesta reta final.

A ansiedade vem a mil principalmente pois no dia 15 de abril temos que quitar a compra do barco - enviando EURO para conta do broker em Martinique. E de dezembro pra cá, com toda a especulação em torno da lava jato e do impeachment, o diabo do dólar tem oscilado diariamente, quase me infartando.  Quando sobe, arrasa meu dia, fico mal humorado, bate a dúvida, o medo.. Uma bosta só!  Mas quando aparece alguma nova notícia da mudança de governo e o dólar inverte e despenca, aí sim !! ...comemoro como se fosse um gol de final de campeonato do meu Vascão.

Nossa planilha marca somente 4 meses para partida - já vejo tudo numa tela só. Há pouco tempo atrás eram 40.. 36 meses, várias colunas...  O tempo voou!! E por mais que tenhamos realizado milhares de coisas, ainda temos muito a fazer - e o tempo parece espremido e as tarefas empilhadas.

Progredimos muito no aspecto familiar.  Raquel encerrou o negócio de decoração de eventos que ela tocava e mergulhou de cabeça, com dedicação integral nos ajudando (e muito!!) a acelerar nossos planos.

Nestas últimas 4 semanas ela se dedicou intensamente ao "família vende tudo". Isso mesmo! Fotografamos tudo de casa, lançamos um blog com preços, fotos, descrições..  e de boca em boca, o apartamento foi esvaziando-se. De bandeja de chá, a cooler velho, cortinas, copos, cama, ...até carro meti na lista (mas esse vendemos mesmo através da loja). A Raquel é fera, tem o comércio na veia. Negociou tudo com habilidade e paciência. Quem sabe um dia não abrimos o próprio negócio.. Ela à frente e eu nos fundos tomando cerveja. :))

Avançamos também no aspecto de saúde: finalizamos a vacinação de toda a família, rodamos checkup geral (PS: to meio gordinho, dado muntueira de coisas e ansiedade mas to com saúde). Digitalizamos também todos os nossos documentos e começamos recentemente a preparação da nossa farmácia.

Cravamos também a nossa data de partida: 30 de junho, de mala e cuia. Talvez você não acredite, mas nossas vidas cabem em 8 caixas... As passagens já estão compradas na Copa Airlines e agora é vai ou racha !!

Nossa parede ganhou um calendário com várias tarefas marcadas detalhando visualmente está reta final. Os filhos se divertem marcando de X em X os dias....  e eu quase infarto de ansiedade. Por vezes acordo à noite sonhando com o diabo do dólar da Dilma explodindo o Brasil e nossos sonhos. Às vezes o sonho é com a vistoria do barco onde dá tudo errado e o barco na verdade é velho e pequeno, diferente do que havíamos escolhido. Esses dias acordei num pulo suado as 4am pois do nada brotou um sonho onde broker era picareta e tinha fugido com nosso dinheiro..  Jesusss!

Outro desafio monstruoso tem sido levar o trabalho em paralelo.  O povo contando comigo, um monte de problemas normais do dia a dia para resolver, ladeira acima..  e eu pensando em ir ladeira abaixo :)) 

Tá difícil.. Tudo em paralelo.  Todo dia vou para o trabalho montado na minha magrelinha olhando pro céu e rezando para que os guias nos dê sabedoria para manter a calma e encontrar o melhor desfecho para todos.

...essa sim tem sido a mais longa travessia!

Talvez quando cruzarmos algum oceano à vela eu mude de ideia, mas hoje acredito que a mais longa travessia é justamente aquela que ocorre dentro da gente, a emocional,  ...um monte de sentimento misturado enquanto você caminha na direção dos seus sonhos. Mas estamos perto. Nas próximas semana começaremos a fazer o pagamento do barco e com isso tiro um chumbo das costas.

Falta pouco. Acompanhem !




Nosso blog "família vende tudo"...




Nosso caçula marcando os dias nessa reta final...




segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O que virá pela frente esta nas mãos de Deus!

St.Marteen, 26 de Outubro de 2015.

O que será que vem pela frente nas próximas semanas ? Escrevo estas palavras no aeroporto de St Marteen, enquanto espero o voo de volta para o Brasil. Muita saudade da família, nenhuma saudade da vida urbana.  Na verdade, o problema não é São Paulo ou muito menos o trabalho, o problema sou eu mesmo.

Como um imã meu instinto, coração, e sei lá mais o que me empurra para mudar de vida. O tempo esta voando e ainda estamos enraizados na selva de pedra! O que nos segura aqui ?! ... o dinheiro obviamente!! Bosta de dólar alto, bosta de mercado imobiliário em baixa dificultando vender o que falta!

E pra variar o destino novamente nos aplica uma nova charada e bifurca a nossa frente: umas duas semanas antes desta viagem recebi um telefonema de um camarada da propria empresa me convidando para assumir uma posição fora. Canto mágico do mundo corporativo. Mudança com toda a família por dois anos. Cacete!!! "O convite não estava 100% confirmado", dizia ele. Ele estava testando a ideia, mas ainda faltava alinhaamentos na constelação corporativa.

Depois de conversar em casa, (a conversa durou dois minutos), retornei dizendo que topava. Morar fora, voo direto pro Caribe, talvez fizesse sentido sobretudo pois já forçaríamos a primeira ruptura com o Brasil. Encaramos esta hipótese como uma transição natural para nossa vida no mar. 

Se rolar, ok.. compramos o barco, deixamos por la.. e seguimos mais 1 ano a frente. Por outro lado, se não rolar vamos embora de vez!!! Esta nas mãos de Deus...  se for a hora de mudar de vida, saberemos em breve - inclusive para que direção.



PS (post atualizado em Abr/16): o convite foi fogo de palha, da mesma forma que veio foi-se, sem aviso prévio. Encarei com naturalidade e até mesmo com alívio, ...pois nossos corações (e mensagens que vem lá de cima) estão nos dizendo que nossa mudança de vida será agora meio do ano.







domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ajustando hábitos

São Paulo, 15 de fevereiro de 2015

Viemos ao longo dos últimos 12 meses ajustando uma série de hábitos na nossa rotina familiar buscando simplificar, baratear, engajar nossos filhos e, sobretudo, facilitar a transição para uma vida mais simples.

Durante a mudança para o AP alugado (meio do ano passado) já havíamos tirado caixas e caixas de coisas das nossas vidas (falei sobre isso posts atrás). Agora foi-se nossa ajudante, a Fafa... 

Aumentamos nossa carga de tarefas e nível de organização buscando se adaptar com uma diarista uma vez por mês ao invés de alguém todos os dias da semana.

O cafezinho da manhã da Raquel eu já fazia há tempos e já vinha também me especializado em lavar louça, daí para passarmos roupa ou lavarmos os banheiros bastou um pulo. :))


Brincadeiras a parte, guerreira tem sido minha amada que tem estado firme em toda estas mudanças principalmente pois boa parte da carga de trabalho adicional ficou com ela. Por vezes, até eu fico surpreso.

No embalo desta mudança, tiramos nossos filhos da escola brasileira e focamos o estudo deles na escola americana (Tots). A carga horária aumentou e de brinde passaram a almoçar na escola, diminuindo o leva e traz diário e também o nível da bagunça. (PS: deveríamos ter feito isso desde o começo, pois agora sim nossa vida começou a entrar no eixo).

Viemos ao longo dos últimos meses nos desfazendo de toda nossa biblioteca de livros. A cada amigo que nos visita sai presenteado com uma meia dúzia de livros. Por vezes dói nossos corações, mas faz parte também. Afinal são coisas que gostamos, mas que não caberão nas nossas vidas no futuro.

Outro ajuste de hábito (tudo bem, pode rir) foi no nível dos vinhos: antes eu gostava de umas coisas um pouco mais caras mas mudei radicalmente (e de novo incentivado pela Raquel). Agora somente me refresco com garrafas abaixo de 20 reais, eta sangue de boi bão! Tem vermelhinho que ela encontrou de 18 reais que depois de gelado é um espetáculo!  :)


Recentemente vendemos também nossas bicicletas. Pacote completo com cadeirinhas, racks... Uma pechincha! Estamos de olho na compra futura de uma bikes dobraveis de inox (folding bikes), estas sim cabendo na nossa futura vida a bordo.

Pensamos também em matar a tv a cabo, mas essa idéia tem sofrido forte resistência da ala infantil. Ok... vamos dando tempo ao tempo.

Pode ser que você esteja rindo ou achando que estamos ficando loucos, mas é assim mesmo: um degrau por vez e de grão em grão vamos nos adaptando a um novo estilo de vida. E cada real economizado pode representar também um dia a mais na nossa vida no mar. Bem como cada novo hábito ajustando pode significar uma transição mais fácil para uma vida mais simples.



domingo, 1 de fevereiro de 2015

Levamos nossa casa de praia para Paraty

Paraty, 1 de Fevereiro de 2015

Isso mesmo, o Lafitte veio passar umas temporadas em Paraty e cá estamos desde novembro. Bela decisão, pois trocamos o trânsito e a balsa da nossa amada Ilhabela por umas horas a mais de estrada e ganhamos em troca uma vaga em um píer de uma marina local e uma baia maravilhosa com milhares de ilhotas e praias para explorar.

Nossos finais de semana e feriados ganharam águas mais tranquilas e pernoites fantásticos perdidos entre o Saco do Mamangua e a Ilha da Cotia. A cada passeio ampliamos nosso conhecimento e gosto pela região. Navego por vezes com binóculo nas mãos namorando praias em busca da melhor sombra de árvore e melhor água. Estamos virando farofeiro profissional, inclusive dado que por vezes fazemos o "desembarque da normandia" com cadeira de praia, churrasqueira, bola de futebol, frescobol... E passamos o dia na praia entre piqueniques e churrascos.

As crianças vem ganhando cada vez mais habilidades no mar. Recentemente aprenderam a manusear o motor do bote e a pilotar sozinhos. E semanas atrás aprenderam a andar de standup. A gente sempre incentiva eles, apesar de que (sem que eles saibam) por vezes ficamos de olho agoniado vendo os pequenos remando a distância do barco.

Realmente nosso tempo embarcado aumentou muito depois de trazer o barco pra cá, principalmente pela facilidade do embarque no píer (que luxo!). Por vezes chegamos de madrugada vindo de SP e o rapaz da marina atenciosamente nos comprimenta já trazendo o carrinho pra ajudar com as bagagens. Que diferença! ...na Ilhabela, nossa vida era bem mais "espartana" pois o Lafitte ficava em uma poita tornando nossa chegada e saída com bagagens e crianças uma missão desafiadora. E com isso por vezes preferimos ficar em pousada ao invés de dormir no barco, limitando nossas velejadas a passeios diurnos.

É isso! ...vamos sonhando e aproveitando o momento para ganhar mais experiência enquanto o tempo corre até a nossa tão esperada data de mudança de vida..   Acompanhem...




















quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Mais um ano (ou menos um ano?!)

Angra dos Reis, 31 de Dezembro de 2014

Foi-se mais um ano. E que ano duro e desafiador! Vendemos nosso apartamento, colocamos as crianças em uma escola americana, mudei de emprego e teve ainda o sofrimento com a doença e posterior falecimento do meu sogro - tudo em um ano só.

Enquanto escrevo estas palavras, o mar está muito mais tranquilo agora... mas passamos por boas tempestades.

Nos adaptamos bem ao apartamento alugado, as crianças também se adaptaram ao novo idioma (depois de muita luta) e as coisas também se acomodaram depois da perda do patriarca da família da minha amada. A frente temos sonhos, muitos sonhos e metas, prometendo um 2015 com águas mais calmas (será?!).

Botamos na cabeça que para sair por ai não devemos ter nada (financeiramente) que nos prenda no Brasil. Nenhum imóvel, pendências... nada, e o nosso foco esta exatamente nesta desmobilização.

Esse ano também é ano de alfabetização da molecada... em inglês. Este é o outro pré-requisito para partirmos.  E tudo correndo bem até dezembro estaremos prontos faltando encontrar o barco e fazer as malas.

Mas mudando o assunto e falando um pouco sobre a virada do ano, nestes últimos dias o Laffite enfrentou sua maior lotação até o momento, parecia a barca Rio Niterói às segundas! 

Veio a parentada toda do RJ para o Bracuhy encontrar conosco.  Minha mãe, sogra, cunhados, sobrinhos.. chegamos a ter 11 em um barco de 36 pés. Arrumamos uma vaga emprestada para o barco no pier (valeu Nando!!) e alugamos uns quartos na casa/pousada de uns amigos (valeu Re e Guilhermo!!). O esquema ficou nota dez e de la saíamos todos os dias para o mar. 

Conhecemos vários outros points legais em Angra que ainda não tínhamos ido, belas dicas colhidas do guia de Angra/Paraty. Conhecemos restaurantes bem legais e não tao procurados e até churrasco na ilha de Itanhangá fizemos junto com o próprio dono da ilha. Muito bacana conhecer a história da Ilha e da família deles. 

Churrascos e mais churrascos de diversão... muito bom! Mas tenho que confessar que o barco ficou miúdo para tanta gente e por vezes me dava agonia em ter que me equilibrar por entre o povo para ir ver alguma coisa na proa. Era amendoim caindo pelo chão, nego pedindo cerveja, outro querendo o remo do standup, sobrinha falando em ir pescar, cunhado querendo pilotar o barco - faz parte!!  :))

E o povo mal chegava na marina (depois de um dia na praia!!!)..  tomava banho, e vinha de volta pro barco para tomar um vinho a noite conosco no cockpit.  (vai descansar desgraça !!!  ...vou pedir demissão!!) 

...brincadeiras a parte, mas eu entendo. Sem que eles soubessem, o mesmo bichinho que tinha mordido a gente anos atrás também estava mordendo eles (tinha uns até falando em embarcar conosco mundo a fora...     jessusss.... Vou me jogar no mar!! )


:)))


















segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Lafitte esta um brinco!

São Paulo, 10 de Novembro de 2014

O verão esta chegando, e junto dele a promessa de várias velejadas entre SP e RJ. Desta vez decidimos levar o barco para Paraty... o que será uma boa dado proximidade com o Rio de Janeiro, facilitando para nossa parentada nos visitar nos finais de semana.

Mas antes disso, decidimos dar uma geral no Lafitte. As capotas ja havíamos trocado meses atrás. Agora foi a vez de subirmos o barco para fazermos fundo, trocarmos óleo da rabeta, revisarmos estaiamento, trocarmos as correntes da âncora e, no embalo, substituirmos os alto falantes externo do barco (pois estavam um lixo). Fizemos todo o serviço na própria Ilhabela, na Marina Porto Ilhabela com a ajuda da dupla Almir & Ceará - parece grupo sertanejo, mas não é, ..são os caras gente boa que cuidam do Lafitte na ilha.

Ficou lindo!  ..e no embalo do samba, ja montamos um book espetáculo para ajudar na venda do barco com fotos fresquinhas do bichano.  Tudo bem que só vamos colocar o book no mercado depois do carnaval. Até lá, muita sombra e água fresca.

PS: (post atualizado em fev/15): Uma pena, mas tivemos que tirar o barco da água de novo logo depois. Barco tem destas coisas, você revisa tudo, no detalhe.. põe na água.. e estoura outra coisa. Desta vez foi o diabo da rabeta que deu um vazamento que culminou no travamento da ré. Descobrimos o problema no mar, com toda a família.. sogra, cunhados e papagaios.  Paramos para curtir em uma praia e cadê que o diabo da ré entrava.  Relaxei, ..ancorei mesmo assim, curtimos o dia.. e o povo só veio se dar conta quando estávamos por chegar na marina quando pedi pelo rádio para o apoio náutico vir até o barco para nos ajudar a freá-lo para atracagem (e claro que nessa hora a desavisada engatou!!! vai entender o humor de um barco).  Enfim... para resolver o problema lá foi-se o lafitte para o seco em uma marina em Paraty..  horas de mecanico... meia duzia de peças e mais 5mil reais gastos.  Barco é assim, como uma casa de praia que voce curte e da despesa. A vantagem, é que no nosso caso nossa casa flutua e a gente move de lugar quando enche o saco.


















segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Um tijolo por vez

São Paulo, 22 de Setembro de 2014

Mês difícil estes dois últimos. A correria no trabalho, a doença e posterior falecimento do meu sogro (Carlão, pai da Raquel), misturado com nossa mudança de apartamento. Tudo embolado, tudo misturado, tudo ao mesmo tempo. Por entre caixas e coisas espalhadas vi minha amada sofrer com a perda do amado pai (grande cara, grande amigo!). Mas de cabeça erguida e amadurecimento espiritual ela encarou de frente todo o processo e foi um dos pontos fortes da família dando apoio para mãe e irmãos. (Amo vc xulé!!!)

Agora com tudo mais calmo, escrevo estas palavras sentado na varanda do ap novo (o alugado)... e com tudo um pouco mais organizado olho São Paulo lá fora, acelerada, viva... as 22:00. "O mar acalmou agora", reflito. E certamente estamos tirando aprendizados neste turbilhão de coisas.

No processo de mudança de apartamento nos desfizemos de várias coisas que antes eram "importantes" p gente. Começou no ato da venda quando já fizemos uma lista de coisas encaixadas no apartamento e fizemos um pacote adicional com o comprador. E assim,  nesta primeira leva foi-se minha adega, xbox, home theather, maquina de lavar louça, entre outros.

Mas não paramos ai.. estávamos determinados a simplificar nossas vidas.  Logo após nossa mudança, a cada camarada novo que vinha aqui em casa para alguma instalação não exitávamos em encher uma sacola e fazer o dia dele: o cara da NET saiu com tênis, roupas, gravatas e paletós. Já o que instalou a geladeira, saiu com roupas para família, bolsas e livros. Um por um, foram ganhando o "dia". 

A Fafa (nossa amiga - funcionária) foi a campeão: de tanta tralha teve que arrumar um frete (meio que uma mini-mudança) pra ajudar com tantas caixas. Foram roupas, computador, sandálias, bolsas, coisas de casa, panelas, livros, cds, dvds, e por ai vai.  Mas não paramos aí! Quando o frete de mudança dela chegou para buscar as coisas...  o marido e o ajudante também fizeram a festa... com tênis, relógios, camisas, etc.  

Bacana ver os olhares. Uma mistura de espanto com alegria. "Por que vocês estão fazendo isso? ...eu vim para instalar sua tv e você me serve um café e me da um monte de coisas?!", nos perguntavam.  "É isso ai", respondíamos. "...o ser humano tem uma capacidade impar de acumular coisas que não precisa, mas que teria muita utilidade para o outro", emendávamos.  

Um amigo do trabalho chegou a me perguntar se tínhamos virados budistas (Edu, você lembra desse dia?!), eu disse que não. Mas fiquei com vontade é de dizer a verdade é que estavámos nos preparando para mudar para um barco.... e nele não caberiam gravatas, paletós, adegas, etc. Mas não dá (ainda) pra dizer isso, obviamente.

Além deste processo de "desapego", começamos a colher os pequenos frutos do ensino "duplo" das crianças.. o Lucca - nosso mais velho (6 anos) já começou a falar pequenas frases em inglês... com um sotaque perfeito, de fazer inveja para qq ingles macarrão tijucano ou niteroiense aprendido depois de velho - assim como o meu. Ta suado, caro, ralado..   mas nestas horas vemos que vale a pena.

...e assim estamos caminhando, e tijolo a tijolo nosso sonho vem sendo construído. E na virada do mês, com muito prazer, irei no topo da minha planilhinha e vou escrever "...faltam 27 meses".





sábado, 28 de junho de 2014

Contagem Regressiva - faltam 29 Meses

São Paulo, 28 de Junho de 2014

O tempo está voando rápido, pisquei o olho e o mês passou. Mês intenso de muita renovação e certezas.

Comecei no meu novo-antigo emprego. Muito bacana retornar a velha casa onde me formei e iniciei carreira, mais legal ainda reencontrar bons e velhos amigos que de uma forma direta ou indireta fizeram parte do meu passado e hoje de novo do meu presente. 

Estou bem animado, inclusive. Tudo bem que o esforço e empenho tem sido grande: chego cedo e saio tarde e o cérebro tem chegado cansado a noite com tanta informação e processamento. Caio no sono rápido em um sono pesado para um novo dia, e assim o mês voou. 

O aprendizado náutico deu uma freada pois o tempo é curto e pouco tenho estudado pra prova de capitão. Não está dando pra fazer tudo ao mesmo tempo. 

Chegamos a conclusão que nosso maior desafio não diz respeito ao lado "técnico" do nosso projeto como conhecer de navegação oceânica, travessias, manutenções, metereologia, etc. Tais conhecimentos são fundamentais, porém acreditamos que eles dever vir naturalmente dado que já estamos embrenhados neste meio e quando estivermos morando a bordo teremos todo tempo do mundo para aprofundar e mergulhar nesta zona de conhecimento, assim acreditamos.

Nosso maior desafio está sim no lado "emocional" do nosso projeto: saber lidar com a educação e crescimento dos nosso filhos, aprender a "desapegar" do mundo concreto e cotidiano... e saber tocar a vida cigana numa boa, ao invés da vida enraizada e encarreirada (acomodada?!) de SP. E é justamente neste auto-conhecimento que temos investido nosso tempo e foco.

Além disso, os sinais que vem do céu são claros e concretos nós apontando a direção. Sem que quiséssemos (e quando já íamos recuar) eis que bateu uma proposta indecente pra venda do nosso apartamento... E assim o fizemos! Tudo bem que eu ia amarelar, preciso confessar..   mas minha amada nos empurrou na direção dos nossos sonhos. Eta alma gêmea, o que seria de mim sem você!! Contrato assinado, dinheiro guardado e agora estamos morando de aluguel.

Vendemos também nosso carro, dado que vamos receber um da empresa. Aos poucos vamos nos "desmobilizando" e desapegando. As planilhas estão atualizadas e sonhos se materializando. Com prazer passei a contar os meses de traz pra frente: com a chegada de julho, faltam agora 29 meses pra cortar as amarras.

Vamos nessa, pois os sinais estão claros a nossa frente!



sábado, 31 de maio de 2014

Pre-temporada por Paraty/Angra

Ilha Grande, 31 de Maio de 2014

Choveu a noite inteira. O vento sudoeste teima em bagunçar o mar e nos frear. Tudo bem que na vinda pra cá semana passada ele muito nos ajudou empurrando um LAFITTE a quase 9 nós na surfada das ondas com tudo a favor.

Na ida esperamos a frente fria chegar na Ilhabela para nos empurrar na direção de Angra dos Reis.

Sensação diferente olhar para traz e ver um mostro cinza com mar encarneirado e olhar a frente e sentir o barco surfar nas ondas com tudo a favor. A tarde foi caindo, escurecendo o dia e o vento nada de baixar.

Preventivamente rizamos (diminuímos) as velas, diminuindo um pouco a velocidade para encarar de forma mais segura a noite.  Imagine se um cabo estourasse ou vela rasgasse no meio da noite com ventão... seria um salseiro!!  Já domino bem navegação em águas abrigadas (nada de mais) mas em mar aberto com ventão, no escuro....  te confesso que sigo adiante mas vou controlando o estômago. Degrau por degrau vamos subindo o nível de experiência.

Quem me acompanhou nesta "aventura"  foi novamente meu velho parceiro Richa - amigo de infância, parceiro de moto. Ele também tinha férias para tirar e nossas esposas deram uma força tocando a vida com as crianças em São Paulo e nos liberando o alvará.

Dias atrás ancoramos no Sítio Forte, Ilha Grande - uma das nossas ancoragens prediletas. Paramos ao lado de um grande veleiro europeu que já vinha há quatro anos rodando o mundo. Era um casal com dois filhos pequenos a bordo. Me aproximei e dei de presente para o capitão um guia da região: "In two years I'll be travelling like you... I've been preparing my family for that...", eu disse a ele. Claramente eles estavam meio "assustados" desbravando a floresta brasileira. "Is it safe to stay here?", ele indagou.

Vimos nesta semana uns dez a quinze barcos estrangeiros por aqui. Fato é que o astral e a beleza dessa região teria encanto para muito mais, mas Brasil é Brasil, e os caras quando vem pra cá devem ficar muito assustados mesmo, meio que sentindo-se no meio de um país em guerra. Da para entender..

Para coroar a viagem.. sem saber, fomos brindados com o festival de jazz em Paraty ontem a noite. Paramos em uma marina para abastecer e tirar o lixo quando ouvimos o bum-bum do barulho na cidade a distancia. Decidimos pegar o botinho e ir lá fazer um reconhecimento...  e que espetáculo! A cada esquina um músico de rua fazendo seu som e passando o chapéu para o público.  Gringo para tudo quanto é lado junto à músicos de diferentes estilos. Velha sorte da porra, noitada show!  Prometi que ano que vem volto aqui com minha tropa toda.

Ponto alto da viagem também foram as ancoradas pela Ilha da Cotia, ficamos dois a três dias na região com horas e horas de standup entre as águas calmas..  beirando as ilhas, vendo arraias, tartarugas e pequenos peixes.   As noites silenciosas eram quebradas somente pelo barulho da nossa sessão de cinema no notebook regado a whisky.  Isso mesmo, ja to gastando a biblioteca de filmes que temos reunido há meses.

Essa semana no mar é a última de férias antes de reiniciar no meu novo-velho emprego. Já tenho até sonhado com reuniões e reencontros. Ontem acordei assustado com um pesadelo onde eu chegava no meu primeiro dia no escritório e estava sem calcas, vai entender.

Mas to animado, serão ótimos reencontros que devem nos dar um gás extra para encarar os próximos 20 meses que temos pela frente.

Aguardem.




domingo, 4 de maio de 2014

Encontro ABVC 2014 - Dicas e Aprendizados


Angra dos Reis, 1 de Maio de 2015

Estou no meu momento "nothing in box", ...eu explico: é aquele momento em que minha cabeça esta "vazia"..com poucos problemas para resolver.  Afinal, estou exatamente no periodo de transição entre empregos. Os problemas da empresa atual/antiga já são passado..  e ainda não entupi o cérebro com os novos problemas.. do novo emprego.  Que momento mágico!!! Ficarei assim até 2 de junho. Quase 40 dias de "nothing box" !!!  Espetáculo!!!

Com este clima..  fomos para Angra dos Reis para participar do encontro da ABVC 2014 no Bracuhy. muito bacana, por sinal.  Me senti um calouro no meio de gente vivida no mar. Absorvi muito conhecimento e aprendizado..  e quanto mais aprendo mais vejo que nada sei.  Vejo que estamos no caminho certo.

Como terei tempo este mes para atualizar nossos planos e sonhos.. vou dedicar em breve um post sobre isso.  Mas por hora, destaco nas proximas linhas as minhas anotações das palestras.. sem tirar nem por nenhum adjetivo, simplesmente minhas anotacoes colhidas ao vivo.


*********


Palestra sobre manutenção de MOTOR DE POPA:

- Qdo afogar: fechar saida de ar + acelerar no max + zerar afogador + dar partida varias vezes. Insiste, pois vai pegar!! Qdo pegar, baixar aceleração, abrir saída de ar

- abastecer moto popa só com poddium. A poddium demora muito mais a envelhecer e dura mais de 6 meses guardada.

- ter parafusos do motor sobressalente e de inox, pois os originais enferrujam rapido

- qdo não ligar de jeito nenhum: tirar velas p limpar (atras) - tirar carburador p limpar tambor (pela frente)

- só abrir saída de ar pra usar o motor. Fora isso saída deve ficar sempre fechada senão vai encharcar motor

- qdo cabo ignicao estourar:  sacar arranque automático  + usar cabo reserva enrolado manualmente (vem no kit do motor)

Palestra sobre MASTREAÇÃO:
Telesmar lira: 12-3842-3664 / 12-99715-4190 / ubatuba telesmar@telesmar.com.br 

- nao deve ter fita e nem proteção em nenhum terminal das cruzetas/mastor, pois acumula umidade e acelera desgaste

- A cada dez anos (no max 15 anos) sistema deve ser trocado. Agendar urgente verificação geral do sistema do lafitte!!

- manutenção de catraca a cada 5 anos. Agendar p lafitte!!

- Regulagem deve ser feito com barco na orça. Estai não pode ficar bambo. Nunca esquecer de colocar a cupilha. Atenção para qdo apertar cabos não desenrolar cabo;

Palestra sobre PINTURA DE FUNDO:
Eduardo Coco Faggiano

- Aplicar vinil bronze sob tinta velha depois de lixado. Ajuda na aderência da tinta nova. Custa pouco (R$180)

- Polimento de costado: fazer a cada dois ano. Pois o gel no tempo acumula mais umidade e sujeira...  Se nao estiver critico, nao lixar somente polimento. 

- Quando o costado é pintado colorido (azul, vermelhor.. etc) exige muito mais cuidado/manutenção,pois desgaste é muito mais rapido

- tinta p fundo: qualidade/fabricantes muito parecidos, diferindo muitas vezes dependendo do local onde fica o barco (quando pode ter mais infestação ou menos de cracas - ambiente mais sujo x mais limpo..).Diferem pouco em qualidade, restando a diferença na facilidade de limpeza - sendo a "melhor"a MIKE

- verificar aterramento do barco

Palestra sobre PREVENÇÃO INCÊNDIO:
Dr. Ricardo

- ter extintores espalhados pelo barco, sua função eh somente apagar o principio de incendio, e nao combater depois de espalhado.

- fazer aula prática com família usando equip vencido. Idem p fumigenos


Palestra sobre PREPARAÇÃO TRAVESSIA:
Ivan@veleiro.net

destaques de alguns itens obrigatórios:
- Ter cabo de reboque de 40m - pois por vezes o barco a dar reboque não dispõe de cabo
- linha da vida com cinto de segurança
- revisar vhf + antenas
- treinar tripulante com homem ao mar e conhecimento mínimo p manobrar
- verificar lanternas e pilhas reservas. Lanterna de mergulho (para caso seja necessario mergulho de emergencia para desenrolar linha de pesca) e cabeca
- ter min de 60 m corrente. Fundos de coral pode cortar amarra
- deixar segundo jogo de ancora preparado p ir ao mar, pois pode ser que quando se precise dele seja em uma emergencia.

Regras por TURNO:

- forme regime de turno e destaque 1 como responsável (sempre UM, nunca dois). Quem deixa mais de uma pessoa no turno.. e o mesmo que ter nenhuma.

- atenção com rede, mais intenso na beira da plataforma litoranea - fica entre 30m e 60m. Pescador usa canal 6. Levar foice afiada com cabo longo

- atenção com navio. Manter canal vhf 16. Ótimo se tiver AIS

- manter atenção com baleias. Manter motor ligado. Não é garantia mas pode ajudar.

- entrada de porto. Muita atenção. Entrar sempre no motor.

- ROTA: baixar rota do costa sul. Conferir cuidadosamente. Repetir rota na carta de papel. Verificar sempre no gps no zoom maximo, pois zoom pode esconder marcas.

Palestra sobre METEOROLOGIA:
Luciano Guerra

- fazer download simbologia meteorologia

- usar sw PWC (predict Wind). Mais assertivo do que o windguru.

- navi weather - fazer download. taxa de erro de 17% sendo melhor atualmente pra uso no brasil. Demais modelos são mais aplicados para outros paises e/ou oceano aberto. Modelo navi cruza três modelos globais JMA / MET OFFICE / NOAA. Grátis ate 3 dias. Depois eh pago, mas tb depois disso a previsao erra

- Predict wind (preferencia ao PWC). Uso mobile.

- Previsão meteograma numérico CPTEC - usar modelo BRAMS5. Modelo brasileiro p brasil

- GFS / grib us - taxa de erro 40% no litoral brasileiro. Nao usar. 

- comprar barografo p barco. Digital.

- cartas sinópticas da marinha.

Palestra sobre PREPARAÇÃO LONGA VIAGEM:

- simulação passagem no VISUAL PASSAGE PLANNER - VPP3

- uso de guias e roteiro tradicionais e cartas piloto

- checklist a verificar: estaiamento, buchas do leme, suporte do mastro, piloto, etc.

- Garantir 3 rizos e rizada automática

- melhorar bolsa de abandono e farmácia

- aprender a fazer pao

- investir em roupa de tempo - de boa qualidade. Custa caro, mas vale muito a pena.

- fazer curso pra uso da balsa

- AIS transponder eh fundamental. Telefone inmarsat também.

- fazer treinamento medico + montagem farmácia com marcelo (medico q apoiou eles na travessia brasil-africa) e pedir tb p ensinar uso balsa

- verificar sistema de leme + piloto. Que pecas reserva temos q ter?

- estudar sobre comida liofilizada - muito prático p ser usada durante travessia

*********
É isso.. fim das anotações.  Abaixo duas fotos tiradas no evento.


Esse cara pequeno aqui é o Beto Pandiani, grande aventureiro - fonte de inspiração.
Li todos os livros dele... bate no google caso você não conheça sua história.


Uma das várias palestras da ABVC... essa aqui foi de um casal que foi
do Brasil a África em um pequeno veleiro. Bate-volta, jogo rápido.. logo ali :)


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Mudanças, uma atrás da outra...

São Paulo, 23 de Abril de 2014.

Entre datas de partidas, planejamentos e sonhos, lidamos intensamente com a dúvida e muita ansiedade nestes últimos meses.

Como já disse em outro post, já tinhamos colocado tudo a venda: barco (Lafitte), apartamento, moto, etc.  Mas ainda não conseguimos negociar as principais coisas o que vem limitando bastante nossas principais ações, pois são justamente destes bens que virão a bufunfa da nossa viagem.

Além deste processo enfrentamos também o início dos nossos filhos na escola americana aqui em SP o que representou um grande desafio e esforço de adaptação de todos nós: afinal, são duas escolas e alfabetizações em paralelo - a primeira, uma escola tradicional brasileira, a segunda uma escola americana buscando facilitar a transição futura deles para o novo idioma.

O povo que mexe com terapia e educação infantil quase nos matou dizendo que estávamos cometendo um sacrilégio com a mulecada forçando demais o cérebro deles. OK, eu entendo - vocês tem uma grande parcela de razão...  "Mas o que vem pela frente vai valer a pena!", nos convencemos.

No meio deste turbilhão de atividades e emoções aprendemos muito e tiramos importantes conclusões, principalmente que nossa dinâmica familiar precisa ainda ser amadurecida para podermos nos lançar ao mar. Isso não significa nenhum tipo de revolução, mas principalmente dar tempo ao tempo para acalmar e solidificar as ações e mudanças que a gente vem empregando no dia-a-dia.

A mulecada ainda tá muito jovem, no meio da alfabetização e, principalmente, na fase de aprender importantes regras, limites e responsabilidades que serão vitais ao longo de toda sua vida. E muito nos assusta interromper este processo de amadurecimento de forma precoce sem ter certeza se saberemos lidar com isso de forma independente navegando por ai.

Em paralelo a tudo isso vem o nosso aprendizado no mar que avança rápido a bordo do Lafitte (nosso "barco escola"), mas é fato que ainda somos calouros. Já dominamos bem a dinâmica da navegação costeira e cotidiano a bordo sendo capazes de navegar por qualquer canto aqui pelo litoral entre SP e RJ em situações normais, mas dai para nos lançarmos em uma travessia mais longa ainda nos falta (muita) experiência. Temos certeza que dado caminho atual este conhecimento virá naturalmente com o tempo.

Por fim, querendo ou não, ainda estou mergulhado na carreira, e o dinheiro pesa bastante pois cada ano trabalhado pode representar bons anos de sossego no futuro. Belos dilemas!

Com todo este contexto tomamos uma das decisõs mais difíceis dos últimos anos: cravamos nossa data de partida para 2016-2017 - postergando mais dois anos e meio nosso sonho. "Vamos deixar a mulecada crescer um pouco mais..  e quando o Lucca (o mais velho) chegar perto dos 9 anos a gente parte", assim idelizamos. 

E junto desta decisão, veio outra igualmente importante: aceitamos a oferta de emprego que recebemos recentemente (falei sobre ela alguns posts atrás) - e na última semana pedi demissão do meu emprego atual e assinei com o novo.

Pronto, decisão tomada, tudo acertado. Data de partida postergada e cravada! Ufa!! ...caramba, saiu um chumbo das minhas costas.

Agora teremos mais 2 a 3 anos pela frente para (com calma) acumular milha náutica, alfabetizar nossos filhos nos dois idiomas, preparar emocionalmente nossa família e, também importante, resolver as questões financeiras e administrativas que envolvem nossa partida (sem afobação).

O ponto chave de todo este processo foi nos dar conta de que estava "antecipando" a saída para uma nova vida não devido a contexto familiar ideal (se é que a palavra "ideal" pode ser aqui empregada), mas sim pois estava de saco cheio de todo contexto atual é grande ansiedade por mudanças. Ou seja, talvez estivéssemos partindo para um sonho bacana, porém pelos motivos errados e na hora errada.

Página virada, ....mas agora meu medo é outro.

Com essa mudança de emprego estou retornando para o mundo corporativo pesado na antiga multinacional onde me criei e dediquei intensamente (visceralmente) por 15 anos. O meu processo de saída de lá 5 anos atrás já tinha sido muito difícil e doloroso com uma imensa carga emocional. E cá estou eu voltando indo de encontro a essência do capitalismo para lidar com egos, patentes, cargos, títulos, carreira, ...bem distante do estilo de vida que estou mirando no futuro. 

Quando se tem um propósito forte os desafios de curto prazo tendem a ser mais fáceis de digerir. Mas por incrível que pareça meu maior medo é justamente ficar novamente preso e viciado dentro dessa corrida corporativa e me perder lá dentro e por consequência me afastar dos nossos sonhos.

Mas não perdi tempo, já tomei minha contra-medida como proteção a tal risco: logo depois dos papéis assinados catei no google e corri para cravar nossos sonhos e objetivos.

Pronto! Agora tá na pedra! Ou na pele?! ...agora sempre que me olhar no espelho vou me lembrar do caminho que estamos seguindo.









quinta-feira, 6 de março de 2014

Do susto ao aprendizado (Carnaval 2014)

Ubatuba, 6 de Março de 2014.

Hoje foi minha melhor noite de sono. Dormi feito uma jaca ou feito criança que nada tem a se preocupar, você escolhe. Parece que pisquei e acordei na mesma posição e nem o travesseiro mexi.  A profundidade foi tamanha que tive uma noite abarrotada de sonhos em sequência sendo que o último ficou com tintas frescas na minha cabeça.

Sonhei que depois de um longo processo decisório havia decidido postergar nossa mudança de vida (para o mar) por mais dois a três anos e acabei por mudar de emprego aceitando a oferta de um antigo chefe e retornando para antiga empresa onde me “formei” e fiz carreira.

Ainda no imaginário, coloquei meu paletó e gravata, fiz a barba, meti um cheiro e fui para meu primeiro dia no novo-velho escritório, retornando para minha antiga vida. Estava resignado, esta a melhor definição. Não estava feliz, mas sim fazendo o que tinha que ser feito para o bem da nossa família (dando tempo ao tempo). Mas para meu espanto, ao chegar na porta do prédio, atrasado para minha apresentação.. olhei para meus pés e percebi que estava descalço. De gravata, mas descalço. Acordei exatamente neste susto, na tentativa de afugentar a angústia em achar sapatos e meias na altura do campeonato.

Não sou psicólogo e nem astrólogo, mas encarei tal sonho (não por acaso) como reflexo natural da minha angústia atual, onde me vejo metido em um processo decisório emocional, cheio de dúvidas e com uma boa dose de insegurança na escolha do melhor caminho a seguir.

O sono de pedra também teve seu motivo: vinha dormindo mal até então. Primeiro devido a forte gripe, segundo pois o mar e o tempo muito nos atrapalharam nos últimos dias.

Estamos no último dia do nosso primeiro carnaval a bordo. Viemos velejando da Ilhabela até Ilha Grande e hoje estamos retornando. Amanhecemos na bela (exceção ao nome) enseada do Flamengo em Ubatuba e hoje de tarde deixaremos nosso amado Lafitte em sua poita na Ilhabela quando voltaremos para nosso cotidiano em São Paulo.

Subimos mais um importante degrau em nosso aprendizado no mar: encaramos fortes chuvas, mar mexido, vento na cara por horas seguidas, nossa primeira vez em mar aberto com toda molecada e, por fim, nossa primeira vez com risco real de acidente. Eu explico.

Na vinda, como o mar estava muito bagunçado e desconfortável, decidimos desviar o rumo para um pernoite na praia de Picinguaba - enseada bem próxima da Ilha das Couves em Ubatuba - para alívio da nossa abalada tripulação. Uma boa decisão, a princípio. Mas fomos surpreendidos às três da manhã por uma forte chuva que chegou assobiando alto com um vendaval, fazendo nossa âncora soltar e nosso sangue borbulhar.

Por sorte do destino (ou aviso la de cima) acordei do nada com a claridade de um raio e meio desavisado levantei para fechar as gaiutas preparando o barco pro aguaceiro. Dado a claridade de um segundo raio, olhei por uma das gaiutas e para meu princípio de infarto vi que já estávamos há poucos metros de uma grande traineira de pesca cheia de braços quase a nos agarrar. O Lafitte havia se soltado dado vento forte e já havíamos derivado uns vinte metros para trás e seguíamos acelerado em direção ao beijo da traineira.

No susto acordei a Raquel e juntos saltamos para tentar segurar o cavalo xucro no meio da tempestade. Ela correu para o guincho na proa e eu para o leme rapidamente dando partida no motor. Máquinas avante ! 

Como um cabrito o Lafitte sacudiu preso pelo cabresto. Os trinta metros de corrente no mar somente dificultavam nossa manobra quase que impedindo de nos afastarmos do sufoco. O bichano rabeava para os lados e eu acelerava o motor na tentativa de reequilibrar o prumo dando cara ao vento. 

A pressão no rabo foi no limite quando o diabo do guincho travou na hora derradeira impedindo de tirarmos a âncora da água. Minha mulher gritava na proa, e eu gritava na popa. Ninguém entendia ninguém. Desisti de ir avante e passei a dar ré e aos trancos e barrancos – mas ainda com a âncora na água, arrastamos na marra o bichano contornando a traineira pela popa e derivando para longe no meio da baia escura.

Mais isolados a frente trocamos de posição e Ela assumiu o leme e eu fui desvendar o travamento do guincho. Era o disjuntor que desarmou dado que a corrente havia se enrolado no guincho. Depois de resolvido o problema, refizemos a ancoragem tendo somente os clarões dos raios e o GPS como referência dado o volume de água que caia e escuridão impedindo que enxergássemos a frente.

Quase quarenta e cinco minutos depois voltamos para cabine com olhos esbugalhados, encharcados e assustados. Nossos filhos acordaram na sequência: “Tá tudo bem, papai?”, Zé Cuca, o mais velho, perguntou. “Tá sim, filho.. papai estava preparando o barco pra chuva.. pode voltar a dormir”, tranquilizei. Mal sabia ele que os pais estavam exaustos e semi-infartados.

Impossível voltar a dormir depois disso, perdi a confiança no fundo, na unhada da âncora e, principalmente na desgraça do alarme de âncora (do ipad) que não disparou. Me mantive alerta até o amanhecer. E quando o dia clareou a bagunça já tinha acabado e com mar e tempo mais calmo decidi dar partida no motor e seguir para o oceano rumo ao nosso destino. Afinal, ”se não consigo dormir, vamos aproveitar o tempo para seguir adiante no nosso rumo”, assim pensei.

De dia e mais tranquilos, debulhamos o ocorrido relembrando cada momento, buscando repensar nosso comportamento e ações para quando formos desafiados novamente. E certamente, assim seremos - pois assim é a vida no mar: grandes prazeres, grande sustos e grandes aprendizados.

Vou resumir aqui em poucas linhas as lições aprendidas:
  • Alarme de âncora: obrigatório! Erramos ao armar o software do ipad. E temos também que ter um equipamento 100% confiável e não ficar na tentativa/erro experimentando a configuração.
  • Erramos na ancoragem inicial: deveria ter testado a firmeza do fundo dando ré com o barco. Mas ao contrário, joguei ferro e como o bicho travou no vento fraco me dei por satisfeito. Grande e maior erro!
  • Devemos ter todos itens de emergência (lanternas de cabeça, capas de chuva, facas e GPS) 100% a mão, e não ficar catando cavaco no meio da confusão.
  • Guincho: o do Lafitte travou pois a caixa de âncora é pequena e quando a corrente volta com pressa ela embola dentro da caixa atingindo o topo e travando o guincho, exigindo atenção de quem manuseia o guincho a sempre organizar a corrente na volta evitando o embolo.
  • E por fim, mas talvez a mais importante lição: cada um tem que ter um papel claro a bordo, sobretudo para saber o que fazer e como agir em momentos de emergência.  Bem diferente do bate-cabeça que tive com a Raquel.  ..mas valeu, a primeira expêriencia a gente nunca esquece.

Tirando os sustos, o restante da viagem foi repeteco do ano novo.. excelente! ...com várias enseadas bonitas, muito sol, atracagens tranquilas, churrascos, violão e muita diversão.  De novo fomos ao Sítio Forte na Ilha Grande – sendo que desta vez experimentamos a famosa lasanha de peixe da Telma na Tapera (muito boa, por sinal). E novamente pernoitamos na Ilha do Cedro, uma das nossas ancoragens preferidas, local perfeito para nosso churrasquinho debaixo da amendoeira.

E ontem, para finalizar uma bela viagem, fomos escoltados por um bando de golfinhos, meio como uma mensagem divina para termos calma e ficarmos tranquilos pois lá em cima tem gente com as mãos nos nossos ombros, bem alinhado com o que a Raquel tem tido pra mim ultimamente: 

" ...calma, pois deus ta caprichando!" :)

É isso, bola pra frente!